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Internacional
13/03/26 às 15:24

Ex-selecionador do Irão chama “heroínas” a jogadoras que recusaram cantar o hino

Afshin Ghotbi, antigo seleccionador do Irão, elogiou a coragem das seis jogadoras da selecção feminina iraniana que recusaram cantar o hino nacional e acabaram por receber asilo na Austrália após a Taça Asiática.

Gestos de protesto ganham destaque internacional

Afshin Ghotbi, antigo seleccionador da selecção masculina do Irão, defendeu publicamente as seis jogadoras da selecção feminina iraniana que recusaram cantar o hino nacional antes da estreia na Taça Asiática, numa acção interpretada como protesto contra o regime do país.

As atletas acabariam por receber asilo na Austrália após o episódio, que rapidamente ganhou destaque internacional. Em declarações à BBC, Ghotbi considerou que o gesto revelou grande coragem e afirmou que as jogadoras devem ser vistas como símbolos de resistência.

Para o antigo treinador da selecção masculina iraniana, estas futebolistas tornaram-se “heroínas” num contexto de enorme pressão política e social.

A pressão sobre os atletas iranianos

Afshin Ghotbi, que liderou a selecção masculina do Irão entre 2009 e 2011, mostrou-se particularmente sensível às dificuldades que atletas iranianos enfrentam quando representam o país em grandes competições internacionais.

Segundo o técnico, as jogadoras tiveram de tomar uma decisão extremamente difícil antes mesmo de entrarem em campo.

“Imaginem a pressão. Elas querem competir ao máximo, mas, mesmo antes de o jogo começar, têm de decidir como vão estar, como vão parecer e o que vão fazer. Acho isso tão injusto”, afirmou.

Ghotbi recordou também o ambiente vivido pela selecção masculina iraniana durante o Mundial de 2022, onde os jogadores enfrentaram um dilema semelhante.

“Os jogadores estavam confusos sobre o que fazer. Se saudarem e cantarem o hino nacional, são abraçados e adorados pelo governo. Mas se o fizerem, os adeptos, o povo iraniano, odeia-os”, explicou.

Um apelo para que sejam deixadas em paz

O antigo seleccionador iraniano destacou ainda o impacto simbólico que o gesto das jogadoras teve a nível global.

“Estas mulheres tornaram-se simbólicas, tornaram-se heroínas. Todo o mundo vai acompanhar como serão tratadas e o que lhes acontecerá”, afirmou.

Ghotbi apelou também a que a situação das atletas não seja explorada politicamente e que lhes seja permitido viver em liberdade.

“Espero que os políticos de todos os lados as deixem em paz e as deixem viver as suas vidas. Todas as pessoas merecem liberdade e o básico na vida. Estas mulheres estão a lutar porque querem ser livres e poder ser quem querem ser”, acrescentou.

Incerteza sobre o Mundial de 2026

Durante a mesma entrevista, Afshin Ghotbi abordou ainda a situação da selecção masculina do Irão e a incerteza em torno da sua eventual participação no Mundial de 2026.

O antigo técnico admitiu que ficaria profundamente desapontado caso o país acabasse por não competir na prova, num cenário influenciado pelas tensões políticas e pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel.

“Ficaria devastado se o Irão não competisse depois de tanto esforço para se qualificar pela quarta vez consecutiva”, afirmou.

Ghotbi sublinhou também o significado que uma eventual participação teria para os adeptos iranianos, especialmente para aqueles que vivem nos Estados Unidos.

“É um sonho ver a selecção nacional do teu país de nascimento jogar à tua frente no país onde és cidadão ou residente”, concluiu.

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Miguel Costa