Gestos de protesto ganham destaque internacional
Afshin Ghotbi, antigo seleccionador do Irão, elogiou a coragem das seis jogadoras da selecção feminina iraniana que recusaram cantar o hino nacional e acabaram por receber asilo na Austrália após a Taça Asiática.
Gestos de protesto ganham destaque internacional
Afshin Ghotbi, antigo seleccionador da selecção masculina do Irão, defendeu publicamente as seis jogadoras da selecção feminina iraniana que recusaram cantar o hino nacional antes da estreia na Taça Asiática, numa acção interpretada como protesto contra o regime do país.
As atletas acabariam por receber asilo na Austrália após o episódio, que rapidamente ganhou destaque internacional. Em declarações à BBC, Ghotbi considerou que o gesto revelou grande coragem e afirmou que as jogadoras devem ser vistas como símbolos de resistência.
Para o antigo treinador da selecção masculina iraniana, estas futebolistas tornaram-se “heroínas” num contexto de enorme pressão política e social.
A pressão sobre os atletas iranianos
Afshin Ghotbi, que liderou a selecção masculina do Irão entre 2009 e 2011, mostrou-se particularmente sensível às dificuldades que atletas iranianos enfrentam quando representam o país em grandes competições internacionais.
Segundo o técnico, as jogadoras tiveram de tomar uma decisão extremamente difícil antes mesmo de entrarem em campo.
“Imaginem a pressão. Elas querem competir ao máximo, mas, mesmo antes de o jogo começar, têm de decidir como vão estar, como vão parecer e o que vão fazer. Acho isso tão injusto”, afirmou.
Ghotbi recordou também o ambiente vivido pela selecção masculina iraniana durante o Mundial de 2022, onde os jogadores enfrentaram um dilema semelhante.
“Os jogadores estavam confusos sobre o que fazer. Se saudarem e cantarem o hino nacional, são abraçados e adorados pelo governo. Mas se o fizerem, os adeptos, o povo iraniano, odeia-os”, explicou.
Um apelo para que sejam deixadas em paz
O antigo seleccionador iraniano destacou ainda o impacto simbólico que o gesto das jogadoras teve a nível global.
“Estas mulheres tornaram-se simbólicas, tornaram-se heroínas. Todo o mundo vai acompanhar como serão tratadas e o que lhes acontecerá”, afirmou.
Ghotbi apelou também a que a situação das atletas não seja explorada politicamente e que lhes seja permitido viver em liberdade.
“Espero que os políticos de todos os lados as deixem em paz e as deixem viver as suas vidas. Todas as pessoas merecem liberdade e o básico na vida. Estas mulheres estão a lutar porque querem ser livres e poder ser quem querem ser”, acrescentou.
Incerteza sobre o Mundial de 2026
Durante a mesma entrevista, Afshin Ghotbi abordou ainda a situação da selecção masculina do Irão e a incerteza em torno da sua eventual participação no Mundial de 2026.
O antigo técnico admitiu que ficaria profundamente desapontado caso o país acabasse por não competir na prova, num cenário influenciado pelas tensões políticas e pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel.
“Ficaria devastado se o Irão não competisse depois de tanto esforço para se qualificar pela quarta vez consecutiva”, afirmou.
Ghotbi sublinhou também o significado que uma eventual participação teria para os adeptos iranianos, especialmente para aqueles que vivem nos Estados Unidos.
“É um sonho ver a selecção nacional do teu país de nascimento jogar à tua frente no país onde és cidadão ou residente”, concluiu.