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Nacional
26/01/26 às 16:03

Crise sem precedentes no Bessa: credores pedem afastamento da Direção e admitem encerramento do Boavista

A situação financeira do Boavista FC entrou numa fase crítica e pode conhecer desenvolvimentos dramáticos nos próximos dias.

A assembleia de credores do clube enviou para o Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia um requerimento formal a pedir a retirada total de poderes de gestão à Direção liderada por Rui Garrido Pereira, solicitando igualmente a possibilidade de encerramento da actividade do clube em caso de incumprimento continuado.

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O pedido surge na sequência da falha no depósito de 149.680 euros na conta da massa insolvente, valor que deveria ter sido liquidado em Janeiro, conforme estipulado no acordo firmado em tribunal. A este incumprimento juntam-se, segundo os credores e a administradora de insolvência, um conjunto de discrepâncias consideradas graves na gestão corrente do clube.

De acordo com o documento a que A BOLA teve acesso, são apontadas diferenças significativas entre os valores declarados pela Direção e aqueles efectivamente pagos pela administradora de insolvência. Um dos exemplos mais expressivos prende-se com os custos com salários e pessoal, que ascendem a cerca de 185 mil euros, quando os pagamentos efectuados pela administradora aos trabalhadores, em Dezembro, rondaram apenas os 50 mil euros.

Os credores questionam ainda despesas elevadas e pouco claras, nomeadamente quase 75 mil euros em fornecimento de água — valor que contrasta com os cerca de 1.500 euros pagos pela administradora —, além de 28 mil euros em serviços não identificados e 54 mil euros em honorários igualmente sem explicação. A estes somam-se custos com transportes e refeições, sem qualquer indicação dos respectivos beneficiários.

O requerimento sublinha que não existem comprovativos para vários dos montantes apresentados, nem evidência de autorização por parte da administradora de insolvência, levantando suspeitas de favorecimento indevido de credores e de práticas de gestão desconformes com o plano aprovado judicialmente.

Importa recordar que, a 16 de Dezembro, o Boavista havia alcançado um entendimento com os credores que permitia manter a actividade do clube. Na altura, a Direção assegurou estar em negociações com entidades públicas e investidores privados, com vista à implementação de um plano de recuperação financeira que garantisse o futuro da instituição axadrezada.

No âmbito desse acordo, o clube procedeu ao depósito de 55 mil euros a 22 de Dezembro de 2025, relativos às despesas correntes mensais. Ficou igualmente estabelecido que, até ao dia 10 de Janeiro, Fevereiro e Março, deveriam ser pagos mais 96 mil euros aos credores, acrescidos do valor mensal indicado pela administradora de insolvência para cobrir os encargos correntes.

Perante o incumprimento, a administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, tem poderes para ordenar o encerramento imediato da actividade do Boavista, com efeitos 15 dias após a decisão, sem necessidade de nova assembleia de credores. Essa possibilidade foi agora formalmente requerida.

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Face às irregularidades detectadas, os credores pedem que o tribunal atribua à administradora de insolvência poderes exclusivos de gestão até ao encerramento da actividade ou à definição de uma solução alternativa. O futuro do Boavista encontra-se, assim, num dos momentos mais delicados da sua história, com o desfecho a depender agora das decisões judiciais e da capacidade — ou incapacidade — do clube para cumprir os compromissos assumidos.