Ao fim de 17 jornadas, não há sentenças definitivas, nem na frente, nem no fundo da tabela, num cenário que valoriza claramente a competitividade da prova.
Com metade da temporada concluída, a II Liga confirma aquilo que muitos antecipavam, mas poucos imaginavam com esta intensidade: um campeonato completamente aberto, imprevisível e onde a margem entre o conforto e o sufoco é mínima.
Ao fim de 17 jornadas, não há sentenças definitivas, nem na frente, nem no fundo da tabela, num cenário que valoriza claramente a competitividade da prova.
A ausência de candidatos crónicos à subida ou à descida tem sido um dos grandes factores de equilíbrio. A liderança já passou por quatro equipas diferentes, com cinco trocas de comando ao longo das jornadas, sinal evidente de um campeonato em permanente ebulição. Mesmo o actual líder, o Marítimo, só recentemente conseguiu cavar a maior vantagem pontual da época — sete pontos — e fê-lo apenas há três rondas, beneficiando de uma quebra acentuada do Sporting B, que atravessa uma série negativa de quatro derrotas consecutivas.
No entanto, esse aparente conforto é ilusório. Basta olhar para o meio da tabela para perceber que ninguém pode relaxar. O Leixões, actual lanterna-vermelha, soma 17 pontos, estando apenas a seis do nono classificado. Uma sequência de duas ou três jornadas menos conseguidas pode arrastar várias equipas para uma zona de perigo que continua densamente povoada.
Esta instabilidade reflecte-se também nos bancos. Ao fim de 17 jornadas, sete treinadores já viram os seus projectos interrompidos, num número significativo que quase atinge metade dos clubes da competição. A única excepção contabilística foi a saída de Vítor Matos do Marítimo, motivada por um convite do Swansea City, que accionou a cláusula de rescisão de um milhão de euros.
Entre todas as mudanças, há um caso que se destaca claramente pelos resultados obtidos: o Académico de Viseu. A substituição de Sérgio Vieira por Sérgio Fonseca transformou por completo o rendimento da equipa. A média de pontos saltou de 0,86 para impressionantes 2,3 por jogo, empurrando os viseenses do 15.º para o 2.º lugar da classificação.
No plano individual, o contributo do avançado Clóvis tem sido decisivo. Com 12 golos apontados, o brasileiro destaca-se claramente num campeonato onde, curiosamente, nenhum outro jogador ultrapassa ainda a barreira dos sete tentos, tornando a luta pelos melhores marcadores relativamente tranquila… para já.
Em jeito de nota estatística, subsistem quatro jogadores totalistas, com presença em todos os 17 encontros disputados. Já o título informal de “suplente de ouro” pertence a Gui Meira, do Feirense, utilizado a partir do banco em 15 ocasiões.
A II Liga segue, assim, num equilíbrio quase cruel, onde o sossego e o inferno convivem separados por escassos seis pontos — e onde cada jornada pode reescrever por completo o mapa da competição.