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Diversos
25/01/26 às 10:29

Quando a realidade bateu sem aviso: Portugal atropelado pela França no Europeu de Andebol

A Seleção Nacional de andebol viveu, frente à França, uma das noites mais duras da sua história recente.

Num jogo que ficará registado não apenas pelo resultado, mas pelo choque brutal com a realidade do mais alto nível europeu, Portugal saiu derrotado por 46-38, num encontro marcado por erros, fragilidades defensivas e uma eficácia francesa quase implacável.

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Os números ajudam a enquadrar a dimensão do desaire. A França, a seleção mais titulada da história do andebol mundial e europeu, protagonizou frente aos lusos um festival ofensivo que resultou no maior número de golos alguma vez sofrido por Portugal em jogos oficiais de grandes competições. Nunca a equipa das Quinas tinha encaixado 46 golos num Europeu ou Mundial, nem sequer desde o início da era de Paulo Jorge Pereira, em 2016. Para agravar o cenário, este encontro passou ainda a ser o mais prolífico da história dos Campeonatos da Europa, com um total de 84 golos.

Tudo começou mal e nunca verdadeiramente melhorou. Portugal apresentou-se irreconhecível desde os primeiros minutos, com uma entrada absolutamente desastrosa. A primeira parte foi um autêntico compêndio de tudo o que não se pode fazer a este nível: 14 perdas de bola, ausência quase total de eficácia ofensiva e uma defesa incapaz de travar o ataque francês. Na baliza, os números são quase inacreditáveis: apenas uma defesa em 30 minutos. Um dado que, por si só, explica muito do que aconteceu.

O marcador ao intervalo (28-15) já espelhava a superioridade absoluta dos gauleses. Pelo meio, Paulo Jorge Pereira não escondeu a frustração e, num desconto de tempo que ficará na memória, apelou sobretudo ao orgulho e à identidade da equipa. “Não estamos a ser nós”, atirou o seleccionador, numa tentativa de despertar um grupo que parecia atordoado pela avalanche francesa.

Na segunda parte, Portugal tentou reagir. A diferença chegou a ser de 14 golos, mas acabou “apenas” em oito. No entanto, qualquer leitura mais optimista esbarra rapidamente na realidade: a recuperação foi mais consequência de um natural relaxamento da França do que de uma verdadeira subida de rendimento da equipa portuguesa. O sistema de 7x6, utilizado em várias fases do jogo, revelou-se ineficaz e não conseguiu mascarar as dificuldades estruturais sentidas em ambos os lados do campo.

Individualmente, houve pouco a salvar num contexto colectivo tão negativo. Kiko Costa voltou a mostrar qualidade e terminou como o melhor marcador português, mantendo-se como um dos melhores do Europeu. Salvador Salvador destacou-se pela entrega total, eficácia ofensiva e contributo defensivo, sendo uma das poucas notas claramente positivas numa noite para esquecer.

No final, Paulo Jorge Pereira foi frontal na análise, reconhecendo a falta de ideias claras e a precipitação da equipa. Ainda assim, manteve o discurso de esperança quanto ao objectivo do quinto lugar, embora admitindo que o caminho ficou mais complicado. Também Victor Iturriza não fugiu à realidade, assumindo que “o que podia correr mal, correu”, sobretudo numa primeira parte que praticamente decidiu o encontro.

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Foi uma derrota pesada, histórica e dolorosa. Mas também uma lição dura sobre o nível de exigência do andebol de elite. Resta saber se Portugal conseguirá transformar este embate violento com a realidade em combustível para reagir nos jogos que ainda tem pela frente.