A Maratona de Brighton, disputada no passado domingo, ficou marcada pela participação de Clarke Reynolds, corredor britânico cego com apenas cerca de 5% de visão, que completou a prova sem recorrer a um guia físico tradicional.
Clarke Reynolds, atleta britânico com apenas 5% de visão, concluiu a Maratona de Brighton em cerca de 6h20m sem guia físico, recorrendo a óculos inteligentes e a voluntários remotos que o acompanharam em tempo real.
A Maratona de Brighton, disputada no passado domingo, ficou marcada pela participação de Clarke Reynolds, corredor britânico cego com apenas cerca de 5% de visão, que completou a prova sem recorrer a um guia físico tradicional.
Reynolds, de 45 anos, utilizou uns óculos inteligentes Ray-Ban Meta, equipados com câmara e áudio integrados, combinados com a aplicação Be My Eyes, permitindo ligação em tempo real a voluntários que o acompanharam remotamente ao longo do percurso.
O sistema permitiu que diferentes voluntários, previamente seleccionados, “vissem” o percurso através da câmara dos óculos e dessem indicações em directo, ajudando o atleta a navegar pelas ruas de Brighton durante a maratona.
Conhecido profissionalmente como “Sr. Dot”, Reynolds é artista em Braille e autor de livros infantis. Perdeu a visão do olho direito aos seis anos e, mais tarde, começou a perder visão no olho esquerdo, tendo sido diagnosticado com retinose pigmentar, uma doença hereditária que provoca perda progressiva da visão. Actualmente descreve a sua percepção visual como “estar debaixo de água”, distinguindo apenas formas, sombras e algumas cores.
O atleta terminou a Maratona de Brighton em pouco menos de 6h20m, numa participação que teve também como objectivo angariar fundos e sensibilizar para a organização Fight for Sight UK.
Durante a prova, contou ainda com um corredor-guia de reserva disponível caso a tecnologia falhasse, embora tenha conseguido concluir o percurso exclusivamente com apoio remoto.
“Ao correr uma maratona e usar a tecnologia de uma forma inédita, aumentei a consciencialização e iniciei muitas conversas, o que espero que ajude a desafiar as ideias da sociedade sobre o que as pessoas cegas podem fazer”, afirmou.
Através da aplicação Be My Eyes, voluntários podem ligar-se a utilizadores cegos ou com baixa visão para tarefas do quotidiano, como identificar objectos ou ajudar na navegação. No caso de Reynolds, o sistema foi adaptado ao contexto de uma prova de resistência, com apoio constante ao longo dos 42 quilómetros.
Reynolds já tinha participado na Maratona de Londres em 2023, nessa altura com um guia tradicional preso por um cabo de segurança.
A utilização de tecnologia em provas de longa distância tem vindo a crescer. Na Meia Maratona de Nova Iorque do mês passado, Thomas Panek também recorreu a óculos inteligentes semelhantes, combinando assistência de inteligência artificial com guias físicos.
A edição deste ano da Maratona de Brighton contou com mais de 14.000 participantes. Na prova masculina, Sam Cook venceu pelo segundo ano consecutivo em 2h25m, enquanto na competição feminina o triunfo foi de Amy Harris em 2h49m.