O derradeiro debate entre Rui Costa e João Noronha Lopes, realizado esta quinta-feira antes da segunda volta das eleições do Benfica, ficou marcado por momentos de grande tensão, trocas de acusações e revelações inesperadas.
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O presidente em funções e o candidato da lista opositora discutiram temas como a gestão desportiva, a contratação de Soualiho Meïté e o passado diretivo de Noronha Lopes no clube.
O confronto começou de forma acesa quando João Noronha Lopes criticou a política de contratações do atual presidente e mencionou o caso de Soualiho Meïté, contratado por sete milhões de euros ao Torino e vendido quatro anos depois ao PAOK por apenas um milhão.
“Não podia haver mais Meités”, afirmou o candidato, considerando o caso um símbolo dos erros de gestão da atual direção.
Rui Costa respondeu de imediato, defendendo que as contratações são responsabilidade de toda a estrutura e não de um único dirigente:
“No futebol, os jogadores não têm paternidade. Quando são contratados, são contratados por uma estrutura, e, portanto, falha-se e acerta-se, esperando-se sempre acertar mais do que falhar, mas há uns que se acerta e vai haver falhas em todas as presidências, em todos os clubes.”
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Visivelmente incomodado, o presidente em funções decidiu ir mais longe e apresentou documentos para sustentar a sua defesa:
“A super-estrutura que diz que tem... Eu vi, esta semana, que disse que o Benfica não pode ter mais Meités. Eu vou-lhe dar, aqui, para perceber... Estou a fazer isto, dizendo-lhe que os jogadores de futebol não têm paternidade quando chegam aos clubes. Numa estrutura que trabalha em conjunto, não têm paternidade, mas é o João que me obriga a fazer isto. Tenho aqui quatro relatórios do Meité, a contratar por Pedro Ferreira. Quatro.”
A acusação fez Noronha Lopes reagir de imediato e de forma enérgica:
“Isso é mentira. É mentira, é mentira. É mentira, Rui.”
O tom subiu quando Rui Costa retorquiu:
“Não me chame mentiroso.”
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A partir daí, o debate tornou-se mais tenso, com sucessivas interrupções e acusações pessoais.
Já na parte final, Rui Costa voltou a atacar o adversário, desta vez exibindo uma alegada ata do clube relativa à saída de João Noronha Lopes da direção de Manuel Vilarinho no início dos anos 2000.
“Estamos a falar da pessoa que o senhor doutor João Noronha Lopes, depois de informar que recusado aceitar um convite irrecusável que lhe tinha sido feito a nível profissional e era incompatível com o lugar de vice-presidente do clube, apresentou a sua demissão do cargo ao fim de 58 dias.”
A reação de Noronha Lopes foi imediata e exaltada:
“É mentira, você é mentiroso.”
Ao que Rui Costa respondeu:
“Está aqui, na ata do clube, não me chame mentiroso.”
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Visivelmente irritado, Noronha Lopes insistiu em defender-se e recordou o seu trabalho no clube ao lado de Vilarinho:
“Não vou deixar passar isto. Sabe o que é que isto demonstra? Demonstra que não conhece a história do Benfica. Estive um ano no Benfica, a defender o Benfica e a ajudar Manuel Vilarinho.”
“Quando cheguei ao Benfica, Manuel Vilarinho disse-me ‘Olha, aqui não há nem efetivos nem suplentes. Estás a trabalhar desde o primeiro dia’. E foi isso que fiz. Estive lá desde o primeiro dia, a trabalhar de sol a sol. Tive dois empregos e estive a defender o Benfica. E, se não fosse o meu trabalho e o de Vilarinho, naquela altura, o Benfica, neste momento, não era dos sócios.”
Rui Costa voltou a desafiar o adversário:
“Está a dizer que isto é mentira?”
Ao que Noronha Lopes respondeu:
“Estou a dizer que trabalhei no Benfica. Fale com alguns dos seus apoiantes porque eles sabem. Não há efetivos nem suplentes, todos estavam a trabalhar. Estive lá um ano. Você mente, Rui.”
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Encerrando o tema, Rui Costa insistiu na veracidade dos documentos que apresentou:
“Mentiroso eu não. Isto está nas atas do Benfica que podem ser consultadas. Mentiroso não sou. Os relatórios que entreguei são do 'scouting' do Benfica, e não me chama mais nenhuma vez mentiroso.”
O debate terminou num ambiente de forte tensão, com acusações cruzadas e ataques pessoais a marcarem o tom. A dois dias das eleições, ficou clara a profunda divisão entre as candidaturas, num confronto que promete prolongar-se até ao último voto no sábado.
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