A informação foi tornada pública pelo próprio através de uma publicação na rede social X, onde deixou uma mensagem em português e em inglês a explicar a situação vivida.
Rui Pinto, conhecido por estar na origem do processo Football Leaks, revelou esta terça-feira que foi impedido de entrar em território japonês após aterrar em Tóquio.
A informação foi tornada pública pelo próprio através de uma publicação na rede social X, onde deixou uma mensagem em português e em inglês a explicar a situação vivida.
Segundo Rui Pinto, a recusa de entrada no Japão deveu-se ao facto de ter sido condenado em Portugal no âmbito do processo Football Leaks a uma pena de prisão superior a um ano, ainda que suspensa. De acordo com a legislação japonesa em matéria de imigração, condenações desta natureza podem constituir fundamento para a não admissão de cidadãos estrangeiros no país, mesmo quando a pena não implica reclusão efectiva.
Na mensagem divulgada, o activista mostrou-se particularmente crítico quanto à falta de esclarecimento prévio por parte das autoridades. Rui Pinto lamenta que nem a Embaixada do Japão em Lisboa, nem os serviços de imigração japoneses o tenham informado atempadamente sobre a existência de entraves legais à sua entrada, apesar de garantir que tentou esclarecer a situação antes da viagem. Para o português, essa ausência de informação resultou numa deslocação inútil e num desconforto pessoal que poderia ter sido evitado.
O episódio volta a colocar Rui Pinto no centro da atenção mediática internacional, vários anos depois de o seu nome ter dominado a actualidade devido à divulgação massiva de documentos confidenciais ligados ao mundo do futebol. O caso Football Leaks expôs práticas financeiras e contratuais de clubes, empresários e jogadores, tendo originado investigações em vários países europeus e desencadeado um intenso debate sobre os limites entre denúncia de interesse público e violação de segredo e privacidade.
Em Portugal, Rui Pinto foi condenado por vários crimes, incluindo acesso ilegítimo e violação de correspondência, tendo beneficiado de uma pena suspensa. Apesar disso, o seu estatuto continua a gerar interpretações distintas a nível internacional, sobretudo em países com políticas de imigração particularmente rigorosas, como é o caso do Japão.
Até ao momento, não houve qualquer reacção pública das autoridades japonesas ou da Embaixada do Japão em Lisboa às declarações de Rui Pinto. Também não é conhecida qualquer indicação sobre a possibilidade de o activista contestar formalmente a decisão ou de tentar nova entrada no país no futuro.
O caso ilustra as consequências práticas que condenações judiciais podem ter fora do país de origem, mesmo quando não resultam em prisão efectiva, e levanta novamente questões sobre comunicação institucional, transparência consular e previsibilidade nos processos de controlo de fronteiras.