Em causa está a multa de 12.750 euros aplicada aos dragões, na sequência dos acontecimentos ocorridos no jogo frente ao Braga, no Estádio do Dragão, a 2 de Novembro.
O Sporting não poupou críticas à decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol no chamado “caso da televisão”, considerando que a sanção aplicada ao FC Porto ficou muito aquém da gravidade do sucedido e representa um sério recuo na forma como o futebol português protege a arbitragem.
Em causa está a multa de 12.750 euros aplicada aos dragões, na sequência dos acontecimentos ocorridos no jogo frente ao Braga, no Estádio do Dragão, a 2 de Novembro.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o clube de Alvalade manifestou “profunda estupefacção” perante o acórdão, sublinhando que a decisão surge após reuniões entre diferentes entidades ligadas à arbitragem e à organização das competições profissionais. Para o Sporting, este contexto tornava o momento particularmente decisivo, uma vez que estava em causa a oportunidade de estabelecer um precedente claro e inequívoco sobre comportamentos considerados inaceitáveis no futebol moderno.
Na leitura feita pelos leões, a sanção aplicada é “flagrantemente desproporcional” e falha o alvo essencial: dissuadir práticas que o clube considera ultrapassadas e perigosas para a credibilidade das competições. O Sporting entende que este episódio constitui o caso mais grave conhecido de tentativa de reintroduzir métodos de pressão sobre equipas de arbitragem, alertando para o risco de normalização de comportamentos que julgava definitivamente enterrados.
O clube acusa ainda a Federação de ter desperdiçado uma “oportunidade única para marcar a diferença”, optando por uma decisão que, na sua óptica, enfraquece a defesa dos árbitros e compromete a evolução do futebol português. O tom do comunicado é claro: mais do que o valor da multa, o que está em causa é a mensagem transmitida ao sistema desportivo.
Recorde-se que o processo disciplinar foi instaurado pelo Conselho de Disciplina quase dois meses depois do incidente, acabando por resultar numa condenação por “inobservância qualificada de outros deveres”. O episódio ocorreu ao intervalo do encontro da 10.ª jornada da I Liga, que terminou com a vitória do FC Porto por 2-1, e teve origem na exibição de imagens do lance do golo anulado aos portistas na primeira parte, por alegada falta de Bednarek sobre Hornicek.
Segundo o acórdão agora conhecido, o FC Porto defendeu-se alegando que as imagens tinham como finalidade exclusiva a análise interna por parte da equipa técnica e da estrutura desportiva. O clube sustentou ainda que a transmissão das imagens no balneário da equipa de arbitragem resultou de um lapso na selecção das salas onde o conteúdo foi disponibilizado, garantindo que a inclusão desse espaço foi involuntária.
No entanto, o documento inclui também o testemunho do árbitro Fábio Veríssimo, que apresenta uma leitura bastante diferente dos factos. Questionado sobre o impacto da situação no seu desempenho, o juiz afirmou que as imagens foram colocadas com o claro intuito de condicionar a actuação da equipa de arbitragem. Embora admita não conseguir provar uma relação directa entre o episódio e decisões tomadas na segunda parte, reconheceu que a situação o afectou emocionalmente, motivo pelo qual ordenou o desligar imediato da televisão.
É precisamente neste ponto que o Sporting concentra grande parte da sua crítica. Para o clube, o reconhecimento explícito do impacto psicológico sobre o árbitro deveria ter pesado de forma muito mais significativa na decisão final, não sendo compatível com uma sanção meramente pecuniária de valor relativamente reduzido.
O caso promete continuar a gerar polémica e debate, não apenas entre clubes, mas também no seio das estruturas do futebol português. Mais do que uma questão disciplinar isolada, trata-se de um episódio que levanta dúvidas sobre a firmeza institucional na defesa da arbitragem e sobre o rumo que se pretende para a competitividade e credibilidade das competições nacionais.