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Nacional
29/01/26 às 10:42

Números que Não Enganam e Decisões que Marcaram a Noite Europeia do Benfica

A noite épica vivida no Estádio da Luz frente ao Real Madrid não se explica apenas pelo golo tardio de Trubin ou pela emoção do apuramento.

Explica-se, acima de tudo, pelos números e pelo contexto de um jogo em que o Benfica foi superior em praticamente todos os indicadores relevantes, algo raro — e por isso ainda mais impressionante — quando o adversário é o maior colosso da UEFA Champions League.

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Os dados avançados pela GoalPoint ajudam a desmontar qualquer narrativa de acaso. Dos 22 remates efectuados pelas águias, 20 aconteceram dentro da área madridista, um registo elevadíssimo e um dos mais altos de toda a edição da prova. Mesmo nos períodos em que não teve domínio territorial, o Benfica foi sempre mais objectivo e perigoso, atacando com critério e presença constante em zonas de finalização.

Essa superioridade reflectiu-se também no capítulo dos golos esperados. Os encarnados terminaram o encontro com um xG de 3, claramente acima dos 1,5 do Real Madrid. Foram 12 remates enquadrados, o dobro do anterior máximo do Benfica nesta edição da Champions, um dado que ilustra bem a eficácia e a clareza ofensiva da equipa de José Mourinho.

Outro número que impressiona diz respeito às ocasiões flagrantes criadas. O Benfica somou sete oportunidades claras de golo, mais quatro do que o seu melhor registo anterior na prova. Frente ao Real Madrid, este tipo de estatística ganha ainda mais peso e confirma uma exibição ofensiva de altíssimo nível.

Defensivamente, a equipa portuguesa também se destacou pela inteligência na pressão. Longe de recuar excessivamente, o Benfica realizou 14 acções defensivas no meio-campo contrário, mais duas do que o próprio Real, demonstrando uma abordagem ambiciosa, agressiva e coerente com o plano de jogo traçado.

Se Trubin acabou como herói improvável, a exibição de Andreas Schjelderup foi tudo menos secundária. O extremo norueguês marcou dois golos, somou cinco remates — três enquadrados — criou uma ocasião flagrante e venceu oito de 13 duelos. Uma noite de afirmação total, que o próprio viveu com emoção e alguma auto-exigência.

“Foi fantástico, é com isto que sonhamos”, confessou, emocionado, dedicando a vitória à avó. Ainda assim, deixou uma frase reveladora da sua ambição: “Para ser honesto, estou um pouco desapontado porque deveria ter marcado quatro golos.”

No plano disciplinar, o encontro foi igualmente intenso. O árbitro italiano Davide Massa teve uma noite exigente, mas globalmente positiva, como analisou Pedro Henriques. Nove cartões amarelos e dois vermelhos por acumulação marcaram um jogo quente, com decisões-chave bem suportadas pelo VAR, nomeadamente no penálti sobre Otamendi e na anulação de um castigo máximo inicialmente assinalado sobre Prestianni.

Houve, ainda assim, um lance polémico já nos descontos, quando o livre que originou o quarto golo do Benfica nasce de uma falta mal assinalada sobre Aursnes. Um erro pontual que não apaga uma arbitragem segura num contexto particularmente difícil.

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No final, fica uma certeza: o Benfica não chegou ao play-off por acaso. Chegou porque foi melhor, mais audaz e mais competente numa das noites europeias mais marcantes da sua história recente.