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Nacional
25/02/26 às 13:30

Carvalhal alerta para risco de “condenação sem provas” no caso Prestianni

Carlos Carvalhal defende presunção de inocência no alegado caso de racismo envolvendo Prestianni e Vinícius. O técnico pede esclarecimentos da UEFA e admite: se for provado, o jogador do Benfica deve ser severamente punido.

A poucas horas do decisivo Real Madrid-Benfica, Carlos Carvalhal abordou o alegado caso de racismo envolvendo Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior, pedindo prudência e respeito pelo princípio da presunção de inocência.

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Em entrevista ao jornal espanhol As, o ex-treinador do SC Braga começou por sublinhar que não existem antecedentes conhecidos do jovem argentino. “Perguntei a colegas sobre ele e disseram-me que era um bom rapaz, sem qualquer incidente desse tipo”, afirmou.

Carvalhal estruturou a sua posição em três pontos: condenação absoluta de qualquer acto racista, necessidade de esclarecimento por parte de um órgão disciplinar da UEFA e defesa da presunção de inocência. “Se for provado que foi racismo, Prestianni deve ser severamente punido”, declarou.

Dois cenários possíveis

O técnico explicou que parte do princípio de que ambas as partes acreditam na sua versão. “Há duas versões e, infelizmente, as câmaras não provam qual é a verdadeira”, observou.

Para Carvalhal, o risco está numa eventual condenação pública sem prova conclusiva. “Imagine que não seja verdade. Estamos a condenar um jovem prodígio de 20 anos a ter um grande problema para o resto da vida, sem que seja verdade”, alertou. Ainda assim, foi claro: caso a acusação seja comprovada, a punição deve ser exemplar.

Punição para adeptos identificados

O treinador foi igualmente directo ao abordar os gestos racistas protagonizados por adeptos na Luz. Nesse caso, considera que existem imagens e provas suficientes para agir disciplinarmente.

“O Benfica está a tentar identificar algumas pessoas que fizeram gestos muito desagradáveis. Aí é mais fácil provar através das câmaras”, explicou, distinguindo a natureza das duas situações.

Olhar para o jogo no Bernabéu

Questionado sobre a ausência de José Mourinho no banco, devido a castigo, Carvalhal admitiu que o treinador faria falta num palco como o Santiago Bernabéu. “Acho que ele gostaria de estar lá. Pelo menos era bem-vindo”, comentou.

No plano táctico, apontou possíveis soluções para colmatar a ausência de Prestianni. Lukebakio surge como hipótese para a direita, pela experiência e capacidade no um contra um. Outra possibilidade passa pela entrada de Sudakov, tendo em conta que o Real Madrid actua actualmente com quatro médios.

Quanto às probabilidades da eliminatória, Carvalhal foi pragmático. “Tudo é possível, mas é muito difícil. O Real Madrid tem uma percentagem muito alta para passar”, reconheceu. Ainda assim, deixou uma janela de esperança: se o Benfica conseguir manter o resultado equilibrado até perto do fim, poderá aproveitar o impacto dos jogadores vindos do banco.

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Entre prudência jurídica e realismo competitivo, Carvalhal procurou separar emoção de análise, num momento em que o debate ultrapassa largamente o relvado.