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Nacional
26/02/26 às 10:21

Tão perto do impossível: o Benfica caiu de pé no reino onde quase nada falha

O Benfica perdeu 2-1 no Santiago Bernabéu e foi eliminado da Liga dos Campeões. Apesar da exibição personalizada e de um Rafa Silva em grande plano, o Real Madrid voltou a mostrar a sua eficácia implacável nos momentos decisivos.

O Benfica entrou no Santiago Bernabéu com ambição declarada: derrubar o rei europeu na sua própria casa. Saiu derrotado por 2-1, eliminado da Liga dos Campeões, mas com a sensação amarga de que esteve verdadeiramente perto de escrever uma das páginas mais marcantes da sua história recente.

Um cartaz na Gran Vía e uma velha ferida reaberta

Há estádios onde o futebol parece obedecer a leis próprias. No Bernabéu, a lógica nem sempre acompanha o que se passa em campo. O Real Madrid voltou a aplicar a sua fórmula minimalista: jogar o suficiente, esperar pelo erro adversário e ser implacável quando a oportunidade surge. Foi assim outra vez.

O início encarnado foi corajoso e cheio de personalidade. Com Ríos numa função híbrida entre a direita e o centro, Dedic pujante no corredor, Schjelderup aberto à esquerda e Rafa Silva a flutuar entre linhas, o Benfica apresentou argumentos. Logo aos 5 minutos, Rafa deixou Asencio para trás com um túnel e obrigou Courtois à primeira intervenção.

O 1-0 surgiu aos 14’, premiando a entrada forte das águias. Dedic encontrou Ríos, este serviu Pavlidis de primeira e o cruzamento do grego encontrou Rafa, com um desvio pelo meio. O português confirmou e gelou momentaneamente o Bernabéu.

Mas o Real raramente perdoa. Ao primeiro erro, castigou. Um passe falhado de Otamendi abriu espaço para Valverde lançar Tchouaméni, que empatou com um remate colocado. O jogo podia contar uma história, o marcador escolheu outra.

O Benfica não se descompôs. Teve posse, silenciou o estádio em vários momentos e voltou a acreditar. Já na segunda parte, Rafa Silva esteve a centímetros de mudar tudo: aos 60 minutos, acertou na barra com um remate de trivela que deixou a eliminatória suspensa num fio invisível.

Foi então que o padrão se repetiu. Tomás Araújo não conseguiu travar um duelo decisivo, Valverde voltou a encontrar espaço e isolou Vinícius. O brasileiro, envolvido em polémica ao longo da semana, fez o que melhor sabe: acelerou, contornou Trubin com classe e sentenciou o play-off. A celebração junto à bandeirola ficou como a imagem definitiva da noite.

Ainda houve tempo para Rafa tentar o empate de forma acrobática, mas o 2-2 nunca chegou. O Benfica sai com uma exibição digna, com argumentos tácticos e individuais evidentes, mas também com a confirmação de uma tendência difícil de contrariar: no Bernabéu, a margem de erro é inexistente.

A equipa orientada por José Mourinho mostrou organização, personalidade e capacidade para discutir a eliminatória até ao fim. Faltou apenas o detalhe final — e contra o Real Madrid, esse detalhe costuma ser tudo.

O registo mantém-se: 11 derrotas portuguesas e um empate na casa do campeão europeu. O Benfica foi ousado, acreditou e esteve perto. Mas, mais uma vez, o feitiço madridista falou mais alto.