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Nacional
07/01/26 às 20:27

Porque é que o FC Porto ganhou a corrida por uma das maiores promessas polacas

A confirmação de Oskar Pietuszewski como reforço do FC Porto passou quase despercebida ao grande público, mas nos bastidores foi tudo menos um processo simples.

O extremo polaco de apenas 17 anos esteve muito perto de rumar a Espanha, com Atlético de Madrid e Real Bétis a lutarem até aos últimos dias pela sua contratação. A revelação foi feita por Mariusz Piekarski, empresário do jogador, que descreveu uma operação longa, criteriosa e marcada por uma estratégia clara de desenvolvimento.

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Segundo Piekarski, o interesse do FC Porto começou ainda em setembro, numa fase em que o futuro do jovem talento estava longe de estar decidido. A escolha de Portugal não foi aleatória. O empresário explicou que o contexto competitivo, a tradição formativa e a capacidade de potenciar jovens jogadores pesaram mais do que propostas financeiramente superiores. Inglaterra, Alemanha e Itália chegaram a ser equacionadas, mas acabaram riscadas do mapa por serem consideradas “um salto demasiado grande” nesta fase da carreira de Pietuszewski.

O trabalho desenvolvido pelos dragões ao longo dos meses foi decisivo. O FC Porto acompanhou de perto a evolução do jogador, recolheu informação detalhada e foi além dos relatórios habituais. Houve contactos com referências do futebol polaco, entrevistas aprofundadas e uma análise exaustiva ao contexto familiar e competitivo do atleta. As negociações com o Jagiellonia aceleraram em dezembro, num sinal claro de que os azuis e brancos estavam determinados a fechar o negócio.

Apesar disso, o desfecho esteve longe de ser garantido. Atlético de Madrid e Bétis mantiveram-se firmes até ao fim, chegando mesmo a negociar contratos de forma concreta. De acordo com o empresário, caso o acordo com o FC Porto tivesse caído, o Atlético apresentaria uma proposta oficial logo na segunda-feira seguinte. Ambos os clubes espanhóis estavam disponíveis para deixar Pietuszewski na Polónia até ao final da temporada, solução que agradava ao jogador do ponto de vista desportivo e financeiro.

Ainda assim, a decisão final teve em conta algo que nem sempre é determinante no futebol moderno: o projecto. O director-desportivo do Jagiellonia percebeu que o FC Porto oferecia o melhor caminho para o crescimento do jogador, mesmo sabendo que em Espanha poderia ganhar mais. A opinião do atleta foi respeitada e acabou por ser decisiva, num processo que Piekarski classificou como “classe total”.

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O empresário afastou também a ideia de forçar um recorde de transferência na liga polaca, cujo máximo ronda os 11 milhões de euros. Para Piekarski, insistir nesse caminho seria contraproducente. O objectivo foi sempre garantir o contexto ideal para o desenvolvimento de Pietuszewski, mesmo que isso significasse abdicar de valores mais elevados. Uma aposta clara no futuro — e uma vitória estratégica do FC Porto.