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Nacional
17/01/26 às 09:44

Queixa do FC Porto contra Fábio Veríssimo arquivada dois dias após o clássico

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol decidiu arquivar dois processos de inquérito relacionados com o FC Porto, ambos envolvendo episódios que marcaram a actualidade recente do futebol português e que estiveram no centro de forte polémica mediática e institucional.

Um dos processos agora encerrados, o Processo de Inquérito n.º 14, dizia respeito à queixa formal apresentada pelos dragões contra o árbitro Fábio Veríssimo, na sequência de alegados comportamentos ocorridos após o encontro entre Arouca e FC Porto. A participação foi entregue ao Conselho de Disciplina da FPF no contexto do já conhecido “caso da televisão”, ocorrido no jogo FC Porto–Sporting de Braga, disputado no Estádio do Dragão.

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Na altura, o FC Porto tornou pública a sua posição através dos seus meios de comunicação oficiais, acusando o árbitro de comportamentos intimidatórios dirigidos a dirigentes do clube. “Após o término do último FC Arouca-FC Porto, e perante várias testemunhas, o árbitro em questão ameaçou dirigentes do Clube com expulsões e outras formas de intimidação”, podia ler-se na nota divulgada pelos azuis e brancos. Segundo o clube, essas ameaças “vieram a concretizar-se no jogo do passado domingo”, motivo pelo qual o caso foi formalmente participado ao Conselho de Disciplina, por alegada violação dos deveres a que o árbitro está obrigado e por um alegado comportamento persecutório.

Apesar da gravidade das acusações, o Conselho de Disciplina decidiu agora arquivar o processo, entendendo não existirem elementos suficientes que justificassem o prosseguimento do inquérito disciplinar. A decisão ganha particular relevância pelo momento em que surge: apenas dois dias depois do clássico entre FC Porto e Benfica, a contar para a Taça de Portugal, encontro que foi precisamente arbitrado por Fábio Veríssimo.

Em simultâneo, foi igualmente arquivado o Processo de Inquérito n.º 11, relativo ao episódio insólito ocorrido no intervalo do jogo FC Porto–Sporting de Braga, quando o sistema de VAR esteve desligado da tomada eléctrica. De acordo com o relatório do árbitro da partida, o reatamento do encontro sofreu um atraso de cerca de 45 segundos, já com as três equipas prontas em campo, devido à falta de energia do sistema de videoárbitro, que havia sido desligado inadvertidamente.

Este episódio gerou forte controvérsia na altura, levantando dúvidas sobre os procedimentos de segurança e de funcionamento do VAR em jogos de alto risco competitivo. Ainda assim, o Conselho de Disciplina entendeu igualmente não avançar com o processo, determinando o seu arquivamento.

Importa recordar que, apesar destes arquivamentos, o FC Porto já havia sido sancionado noutro processo relacionado com o mesmo jogo frente ao Sporting de Braga, nomeadamente pelo episódio envolvendo uma televisão no balneário do árbitro Fábio Veríssimo. Nesse caso concreto, os dragões foram multados, decisão da qual já recorreram para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), mantendo em aberto uma frente jurídica paralela.

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Com estas decisões, o Conselho de Disciplina dá por encerrados dois dos processos mais mediáticos das últimas semanas no futebol português. Ainda assim, o tema da arbitragem continua a ser sensível e a gerar debate intenso, sobretudo quando envolve jogos de elevada importância competitiva e clubes de dimensão nacional. Para já, do ponto de vista disciplinar, os casos ficam arquivados — mas a discussão em torno deles dificilmente desaparecerá do espaço público.