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03/04/26 às 18:12

Caso que choca França: jogadores de râguebi arriscam penas pesadas por violação em grupo

O Ministério Público francês pediu até 14 anos de prisão para três antigos jogadores do Grenoble, num caso de alegada violação em grupo que remonta a 2017.

O mundo do desporto francês volta a ser abalado por um caso de grande gravidade. Três antigos jogadores de râguebi do Grenoble enfrentam penas pesadas de prisão, após o Ministério Público ter solicitado, em sede de recurso, condenações até 14 anos por alegada violação em grupo de uma jovem em Bordéus, em março de 2017.

O processo, que decorre no tribunal de recurso de Charente, voltou a trazer à tona detalhes perturbadores de uma noite marcada por excessos e que continua a dividir versões entre acusação e defesa.

Ministério Público mantém linha dura

O procurador-geral pediu a confirmação das penas de 14 anos de prisão para Denis Coulson e Loïck Jammes, ambos com 31 anos, e um agravamento da pena aplicada ao neozelandês Rory Grice, de 36 anos, que tinha sido inicialmente condenado a 12 anos.

Segundo a acusação, Grice terá tido um papel activo no prolongamento do sofrimento da vítima, estando “totalmente incluído no projecto criminoso”.

O crime de violação em grupo, segundo a legislação francesa, pode ser punido com penas até 20 anos de prisão.

Defesa mantém versão de consentimento

Do lado da defesa, a posição mantém-se inalterada: os arguidos alegam que a relação foi consentida. Esta versão é sustentada, segundo os advogados, por um vídeo gravado durante a noite.

Ainda assim, o advogado de Rory Grice mostrou-se surpreendido com os pedidos do Ministério Público, classificando-os como excessivos.

Uma noite que terminou em denúncia

Os factos remontam à noite de 12 de março de 2017, após um jogo do Top 14 entre o Grenoble e o Union Bordeaux-Bègles. A equipa pernoitou num hotel em Mérignac, onde ocorreram os acontecimentos.

Na manhã seguinte, a jovem, então com 20 anos, foi vista a sair do hotel em lágrimas e apresentou queixa às autoridades.

Segundo o seu testemunho, conheceu os jogadores num bar e seguiu com eles para uma discoteca, onde houve consumo elevado de álcool. A partir desse momento, afirmou não se recordar do que aconteceu.

Relatou ter acordado nua, numa cama de hotel, rodeada por homens, numa situação que descreveu como profundamente traumática.

Julgamento marcado pela sensibilidade do caso

O julgamento em recurso decorreu à porta fechada, a pedido da vítima, dada a natureza sensível dos factos.

O advogado da queixosa sublinhou que a sua cliente não procura vingança, mas sim reconhecimento: “Ela precisa de ouvir que a sua versão corresponde à realidade. A pena importa pouco.”

Outros envolvidos já condenados

O caso envolve ainda outros dois ex-jogadores do Grenoble, Chris Farrell e Dylan Hayes, que assistiram aos acontecimentos sem intervir.

Farrell foi condenado a quatro anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa, enquanto Hayes recebeu uma pena de dois anos, totalmente suspensa. Ambos optaram por não recorrer das decisões.

O veredicto final do tribunal de recurso é aguardado para as próximas horas, num processo que continua a gerar forte impacto mediático e levanta questões profundas sobre comportamentos no desporto de alta competição.

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