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Nacional
02/04/26 às 11:24

O clube que resiste ao tempo e às dificuldades… e continua a fazer história no Alentejo

O Eléctrico de Ponte de Sor celebrou 97 anos de existência, mantendo viva a sua identidade e lutando pela permanência no Campeonato de Portugal, num percurso marcado por paixão e resiliência.

Num futebol cada vez mais dominado por grandes estruturas e orçamentos elevados, há histórias que resistem, que sobrevivem e que continuam a dar sentido à essência do desporto. O Eléctrico de Ponte de Sor é uma dessas histórias — um clube que, longe dos holofotes, continua a afirmar-se como um verdadeiro símbolo da sua região.

O emblema alentejano assinalou, ontem, o seu 97.º aniversário, reforçando o estatuto de bastião do desporto no Alto Alentejo. Ao longo de quase um século, o Eléctrico construiu uma identidade própria, feita de proximidade com a comunidade, paixão pelo jogo e uma dedicação que vai muito além das quatro linhas.

Um passado de conquistas e um presente de resistência

Apesar das limitações naturais de um clube fora dos grandes centros, o Eléctrico tem sabido afirmar-se competitivamente. Na época passada, a equipa sénior alcançou um feito notável ao conquistar o triplete nas competições distritais de Portalegre — campeonato, Taça e Supertaça — demonstrando uma clara superioridade a nível regional.

Esse sucesso permitiu-lhe consolidar presença nos campeonatos nacionais, onde actualmente disputa a Série C do Campeonato de Portugal. No entanto, o desafio é exigente: a equipa ocupa o 13.º e penúltimo lugar da classificação, estando envolvida na luta pela manutenção.

Mais do que resultados imediatos, o Eléctrico representa uma forma de estar no futebol onde a persistência e o espírito de sacrifício são determinantes. Cada jogo é encarado como uma batalha pela sobrevivência, mas também como uma oportunidade de honrar a história do clube.

Emanuel Baleizão: o rosto de uma paixão sem limites

No centro desta realidade está uma figura que encarna na perfeição o espírito do Eléctrico. Emanuel Baleizão, de 44 anos, natural de Ponte de Sor, é muito mais do que o treinador principal da equipa.

Conhecedor profundo do clube, desempenha múltiplas funções, desde a gestão de departamentos como as redes sociais até à organização interna. É, na prática, um verdadeiro “guardião do templo”, alguém que vive o clube intensamente e que representa a ligação directa entre a instituição e a comunidade local.

A sua história é um exemplo claro de dedicação e amor ao emblema da terra. Num contexto onde os recursos são limitados, Baleizão assume um papel fundamental na manutenção da estrutura e na motivação do grupo de trabalho.

A “Alma Eléctrico” que nunca se apaga

Entre adeptos e simpatizantes, fala-se frequentemente da “Alma Eléctrico” — uma expressão que traduz o espírito resiliente e apaixonado que define o clube. É essa alma que permite ao Eléctrico continuar a competir, a crescer e a sonhar, mesmo perante adversidades.

A poucos anos de atingir o centenário, o clube de Ponte de Sor continua a provar que o futebol não vive apenas de fama ou de grandes palcos. Vive, sobretudo, de histórias como esta — feitas de identidade, entrega e um amor incondicional ao jogo.