O técnico esteve apenas 36 dias no cargo e sai depois de uma sequência altamente negativa de resultados: seis derrotas em oito jogos oficiais ao comando dos chamados “católicos” de Glasgow.
O Celtic anunciou esta segunda-feira o despedimento de Wilfred Nancy, numa decisão tão drástica quanto rara, mesmo para os padrões exigentes do futebol britânico.
O técnico esteve apenas 36 dias no cargo e sai depois de uma sequência altamente negativa de resultados: seis derrotas em oito jogos oficiais ao comando dos chamados “católicos” de Glasgow.
A gota de água surgiu no sábado, com a derrota caseira por 3-1 frente ao eterno rival Rangers, no clássico da cidade. Um resultado pesado não apenas pelo marcador, mas também pelo contexto simbólico e emocional que este dérbi carrega, sobretudo num Celtic Park onde a margem de erro é mínima.
Wilfred Nancy tinha sido anunciado no início de dezembro de 2025, assinando um contrato de duas épocas e meia, numa aposta de médio prazo que rapidamente se revelou um erro de cálculo da direcção. O treinador sucedeu a Martin O’Neill, que havia assumido interinamente o comando da equipa e deixara um registo surpreendentemente positivo: sete vitórias em oito encontros, um contraste brutal com o rendimento do seu sucessor.
O início de Nancy foi imediatamente problemático. Perdeu os dois primeiros jogos e, pouco depois, consentiu quatro derrotas consecutivas, um cenário que o Celtic não vivia há 47 anos. Desde 1978 que o clube não registava uma série tão negativa em tão curto espaço de tempo, um dado que ajuda a explicar a rapidez e firmeza da decisão tomada pela administração.
Curiosamente, apesar do descalabro recente, o Celtic ocupa ainda o segundo lugar da liga escocesa. A equipa está a seis pontos do líder Hearts, mas foi já alcançada pelo Rangers, algo que aumentou significativamente a pressão interna e externa sobre o treinador agora despedido.
Como se não bastasse a instabilidade no banco, o clube anunciou também a saída do director desportivo Paul Tisdale, numa clara tentativa de promover uma reestruturação profunda após um mês particularmente turbulento. A dupla saída reforça a ideia de que o Celtic reconhece falhas ao nível da liderança e do planeamento desportivo.
O futuro imediato do clube passa agora por encontrar uma solução de emergência que devolva estabilidade competitiva e tranquilidade aos adeptos, numa fase da temporada em que cada ponto começa a pesar de forma decisiva.