Jogar andebol com um só olho
A adaptação não foi simples. Serradilla descreve o processo como uma aprendizagem constante. A redução drástica do campo de visão obriga a antecipar tudo: movimentos, contactos, trajectórias. Leva mais pancada, choca mais vezes com adversários e tem de decidir em fracções de segundo com menos informação visual do que qualquer outro jogador em campo.
“Se tapares um olho, percebes logo as dificuldades. O campo parece mais pequeno, tudo acontece mais depressa”, explica. O corpo, ainda assim, acabou por se adaptar. Depois da Noruega, onde representou o Elverum Handball, seguiu para a Alemanha, passando pelo Magdeburgo e chegando agora ao TVB Stuttgart.
As dificuldades estendem-se ao quotidiano: tropeça frequentemente na rua, tem de rodar todo o corpo para olhar pelo retrovisor direito ao conduzir, vive com uma atenção permanente que nunca desliga. Se fora do campo já é exigente, dentro dele torna-se quase sobre-humano.