Há semanas em que tudo corre mal. E depois há semanas em que o futebol exige que se levante, se respire fundo e se vá ao Dragão buscar uma final.
O Sporting chega ao Dragão com vantagem de 1-0 da primeira mão mas numa semana em que perdeu tudo o resto. Porto precisa de marcar para prolongamento — e tem o melhor registo histórico neste cruzamento em casa. A Taça pode ser o único troféu ainda em aberto para os leões.
Há semanas em que tudo corre mal. E depois há semanas em que o futebol exige que se levante, se respire fundo e se vá ao Dragão buscar uma final.
Esta é essa semana para o Sporting.
Em sete dias, os leões foram eliminados da Liga dos Campeões pelo Arsenal no Emirates, perderam o dérbi em Alvalade nos descontos com um golo de Rafa Silva e viram o tricampeonato ficar matematicamente quase impossível. O plantel está desgastado. O balneário está ferido. E esta noite há um jogo às 20h45 no estádio do maior rival desta época — com desvantagem de 1-0 para anular.
A lógica diria que as circunstâncias são as piores possíveis. Mas o futebol raramente obedece à lógica.
O Sporting chega ao Dragão com a única vantagem que importa nesta eliminatória: um golo marcado fora de casa na primeira mão, em Março, com Suárez a converter um penálti aos 62 minutos. Para o Porto passar nos 90 minutos precisa de ganhar por dois golos de diferença. Para forçar prolongamento basta um golo. Para o Sporting passar basta não perder — ou perder apenas por um golo.
Do lado do Porto, Farioli tem uma decisão delicada. O campeonato é a prioridade absoluta — o título está a sete pontos de distância com quatro jornadas para jogar — e o treinador italiano pode optar por poupar alguns dos titulares mais desgastados. Mas o Dragão
não costuma aceitar meias-medidas em jogos desta dimensão, e a pressão dos adeptos para uma noite de gala é real.
Em 18 jogos disputados no Dragão frente ao Sporting para a Taça de Portugal desde 1943, o Porto venceu 12 — uma taxa de 66,7% de vitórias, com 33 golos marcados contra 19 dos leões.A história pende para os dragões. Mas a história do Sporting nesta época é a de uma equipa que cai e se levanta — no Emirates foi assim, em muitos jogos desta temporada foi assim.
Rui Borges disse na segunda-feira que o foco estava neste jogo. Que nada apagava o caminho da equipa. Que enquanto houvesse vida, haveria luta.
Esta noite, às 20h45, no Dragão, descobre-se se essa luta tem ainda uma final no Jamor para ser disputada.