O antigo seleccionador de Espanha reagiu às acusações feitas por Andrey Orlov, antigo director-geral do FC Sochi, que afirmou publicamente que o técnico espanhol recorreu de forma sistemática ao ChatGPT durante a sua passagem pelo clube russo.
A utilização de inteligência artificial no futebol profissional voltou a gerar polémica, desta vez com Roberto Moreno no centro da discussão.
O antigo seleccionador de Espanha reagiu às acusações feitas por Andrey Orlov, antigo director-geral do FC Sochi, que afirmou publicamente que o técnico espanhol recorreu de forma sistemática ao ChatGPT durante a sua passagem pelo clube russo.
Segundo Orlov, Moreno terá utilizado a ferramenta de inteligência artificial em praticamente todas as áreas do trabalho técnico: desde a preparação dos treinos e dos jogos até à escolha de reforços no mercado de transferências. As declarações causaram impacto imediato, não apenas pelo carácter insólito das acusações, mas também por levantarem questões sobre os limites éticos e práticos da utilização de IA no futebol profissional.
Um dos episódios relatados pelo antigo dirigente do Sochi tornou-se particularmente mediático. Antes de um jogo do campeonato, Moreno terá elaborado um plano de preparação com base em sugestões do ChatGPT, que incluíam manter os jogadores acordados durante 28 horas. Orlov garante que questionou o treinador sobre quando a equipa iria dormir, ao que Moreno terá ajustado os parâmetros na ferramenta, recebendo uma nova proposta. Segundo o dirigente, o plano final acabou mesmo por ser aplicado.
As acusações estendem-se também ao mercado de transferências. De acordo com Orlov, a contratação do avançado cazaque Artur Shushenachev terá sido recomendada pelo ChatGPT. O jogador, porém, não correspondeu às expectativas, tornando-se, aos olhos da direcção, mais um exemplo de uma alegada dependência excessiva da tecnologia por parte do treinador espanhol.
Perante a repercussão das declarações, Roberto Moreno decidiu reagir de forma oficial, rejeitando de forma categórica todas as acusações. O técnico garante que nunca utilizou o ChatGPT para preparar jogos, definir onzes ou escolher jogadores. Admitiu apenas o recurso a ferramentas analíticas, algo que considera normal no futebol moderno, mas sublinhou que as decisões finais foram sempre humanas.
Relativamente ao caso de Shushenachev, Moreno esclareceu que a contratação foi conduzida pelo clube e pelo director desportivo, tendo sido aprovada apenas do ponto de vista técnico. Acrescentou ainda que o jogador marcou um golo na Taça e que uma lesão condicionou o seu rendimento, algo que considera perfeitamente normal no contexto competitivo.
Sem querer alimentar a controvérsia, o treinador espanhol deixou claro que prefere olhar para o período no Sochi como uma etapa de aprendizagem. “Não entrarei em polémicas com pessoas do passado”, afirmou, encerrando o tema com uma postura contida, mas firme.