As qualificações directas do FC Porto e do SC Braga para os oitavos-de-final da Liga Europa não só evitaram o desgaste do play-off como permitiram a Portugal consolidar ainda mais a sua posição entre as principais potências do futebol europeu.
As noites europeias voltaram a sorrir ao futebol português e os reflexos fazem-se sentir onde realmente importa a médio e longo prazo: no ranking da UEFA.
As qualificações directas do FC Porto e do SC Braga para os oitavos-de-final da Liga Europa não só evitaram o desgaste do play-off como permitiram a Portugal consolidar ainda mais a sua posição entre as principais potências do futebol europeu.
Com a vitória dos dragões no Dragão e o empate estratégico dos minhotos fora de portas, Portugal somou pontos preciosos numa fase em que os concorrentes directos tropeçaram de forma pesada. O caso mais evidente é o dos Países Baixos, que viveram uma semana negra nas competições europeias. Dos seis clubes neerlandeses em prova, cinco ficaram pelo caminho, o que se traduziu num ganho residual de apenas 8.645 pontos nesta actualização do ranking.
Do lado português, o cenário é bem diferente. Portugal atingiu agora os 16.600 pontos na temporada em curso, quase o dobro do registo neerlandês, elevando o total acumulado para 69.266 pontos. Já os Países Baixos ficaram-se pelos 66.595, uma diferença que começa a ganhar contornos difíceis de inverter nas próximas rondas. Esta margem reforça a tendência que se vinha desenhando desde o início da época: o regresso de Portugal ao estatuto que permite colocar três equipas directamente na Liga dos Campeões.
Este dado é tudo menos irrelevante. Mais equipas na Champions League significam mais receitas, maior visibilidade internacional e um ciclo virtuoso que beneficia não apenas os “grandes”, mas todo o ecossistema do futebol nacional. O desempenho consistente de clubes como FC Porto, Braga, Sporting e Benfica nas últimas épocas começa agora a traduzir-se de forma clara nos números frios do ranking.
O ranking actualizado da UEFA confirma, assim, uma realidade que se sente dentro de campo: Portugal está a competir de igual para igual com ligas tradicionalmente mais mediáticas e financeiramente poderosas. Inglaterra, Itália, Espanha e Alemanha continuam no topo, mas logo atrás surge um bloco onde Portugal já não aparece como convidado ocasional, mas como presença regular e incómoda para os adversários.
Com várias equipas ainda em prova e a fase a eliminar prestes a começar, o ranking poderá sofrer novos ajustes, mas a almofada criada face aos Países Baixos oferece uma margem confortável. Se o rendimento europeu se mantiver, a questão deixará de ser “se” Portugal volta a ter três equipas na Champions, passando a ser apenas “quando” essa confirmação matemática será feita.
Para já, os números falam por si — e jogam claramente a favor do futebol português.