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Nacional
03/01/26 às 14:41

Galo de peito feito empurrou leão às cordas

A entrada em falso do Sporting em 2026 não se explica apenas pela expulsão de Gonçalo Inácio já perto do fim.

Explica-se, sobretudo, pela forma como o Gil Vicente foi crescendo no jogo, sólido no plano defensivo, inteligente na forma como subiu linhas e competente a impedir que os leões encontrassem o seu habitual jogo associativo. O empate a uma bola no Estádio Cidade de Barcelos nasce muito mais do mérito dos minhotos do que de um simples acidente disciplinar.

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O Sporting chegava a Barcelos embalado por três goleadas consecutivas e com estatuto de equipa mais concretizadora da Liga. Do outro lado estava um Gil Vicente quarto classificado, com uma das defesas menos batidas do campeonato e uma organização coletiva que prometia dificuldades acrescidas. E prometeu bem. Rui Borges mexeu pouco no onze, trocando Fresneda por Vagiannidis à direita e lançando Matheus Reis à esquerda, fruto da lesão de Mangas. Sem Pedro Gonçalves, Quenda e Geny, Maxi voltou a surgir adiantado, numa equipa que, desta vez, encontrou as alas completamente bloqueadas.

Do lado gilista, César Peixoto apresentou uma equipa sem Pablo, transferido para o West Ham, apostando em Gustavo Varela. No momento defensivo, o sistema transformava-se num 4x4x2 compacto, com Santi García a fechar por dentro e a retirar espaços de finalização ao Sporting. Os leões tinham bola, mas não tinham profundidade nem largura. O Gil, confortável sem ela, ia esperando erros e brechas.

As primeiras ocasiões até foram da casa. Rui Silva foi chamado a intervir com qualidade, primeiro num remate acrobático de Varela e depois num disparo de Touré, tornando-se desde cedo uma das figuras da partida. Do lado leonino, apenas uma cabeçada de Ioannidis, aos 16 minutos, a criar verdadeiro perigo antes do intervalo.

Quando o nulo parecia destino inevitável, surgiu o momento que desmontou tudo. Aos 45 minutos, Eduardo Quaresma descobriu Luís Suárez com um passe magistral pelo corredor central. O colombiano ganhou a frente à defesa e, perante Andrew, não tremeu. Um golo contra a corrente do jogo, que premiava a eficácia e não o controlo.

A segunda parte trouxe um jogo completamente diferente. O Gil Vicente regressou com linhas mais altas, sem receio, e empurrou o Sporting para trás. Nos primeiros quinze minutos houve vertigem pura: Suárez teve duas oportunidades claras para ampliar, Touré respondeu do outro lado e Luís Esteves esteve perto do empate. O jogo partiu-se e o empate começou a pairar no ar.

A expulsão de Gonçalo Inácio, aos 79 minutos, por travar Gustavo Varela em lance de perigo, foi apenas mais um capítulo de uma história que já vinha a ser escrita. Mesmo antes disso, o Gil arriscava tudo, lançando Mutombo e Carlos Eduardo. Rui Borges, limitado pelas lesões e opções no banco, foi obrigado a estrear Rômulo para recompor a defesa, mas o ascendente gilista era evidente.

O empate chegou aos 87 minutos. Cruzamento irrepreensível de Luís Esteves e cabeceamento certeiro de Carlos Eduardo, num golo que fez justiça ao que se via em campo. O Gil ainda esteve perto da reviravolta, com Rui Silva a negar o 2-1 a Joelson já nos descontos, enquanto o Sporting, num último fôlego, tentou reagir sem verdadeiro critério.

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No apito final, a sensação era clara: o leão pouco mais fez do que o golo que marcou. O galo, de peito feito, acreditou sempre e acabou por empurrar o Sporting às cordas até ao soco final. Um empate que pode pesar na luta pelo título e que deixa os verdes e brancos à mercê do que o FC Porto fizer frente ao Santa Clara.