adeptos-logo
Internacional
31/12/25 às 16:46

Um sonho que resiste ao tempo: Domingos Duarte não esconde o desejo de jogar pelo Sporting

Domingos Duarte nunca vestiu a camisola da equipa principal do Sporting, mas isso não o impede de alimentar um sonho antigo.

Aos 29 anos, com uma carreira sólida construída maioritariamente em Espanha, o central do Getafe assume, sem rodeios, que gostaria de um dia regressar a Portugal — e que esse regresso teria um destino preferencial: Alvalade. Uma ambição assumida com naturalidade, sem amarguras, numa entrevista onde faz um balanço honesto do percurso e deixa claro que o Sporting continua a ocupar um lugar especial na sua história.

Uma multa que sabe a pouco: Sporting aponta falhas graves à FPF no polémico caso da televisão

Natural de Cascais, Domingos começou a jogar no Estoril Praia ainda em criança, com apenas sete ou oito anos. A mudança para o Sporting aconteceu aos 16, num momento decisivo da formação. Passou três temporadas em Alvalade, sempre na equipa B, numa fase que recorda com gratidão. Nunca chegou à equipa A, mas rejeita qualquer ressentimento. Pelo contrário, fala do clube como uma referência e sublinha o apoio que recebeu numa fase ainda precoce da carreira, quando tudo estava por construir.

Depois de sair do Sporting, o percurso foi feito passo a passo. Belenenses e Chaves serviram de trampolim antes da primeira aventura em Espanha, ao serviço do Deportivo da Corunha. Foi lá que viveu uma época positiva, embora marcada pela frustração de não conseguir a subida à LaLiga. Ainda assim, guarda excelentes recordações do clube, dos adeptos e da cidade, admitindo que teria ficado se as circunstâncias o tivessem permitido.

A oportunidade de jogar na primeira divisão espanhola surgiu pouco depois, com a transferência para o Granada. Foram três temporadas intensas, com momentos altos e baixos. O primeiro ano ficou marcado por uma campanha histórica, que levou o clube à UEFA Europa League. O segundo confirmou a estabilidade competitiva e o terceiro acabou por ser mais complicado, culminando na descida de divisão, num contexto de mudanças internas com as quais Domingos não se identificou. Apesar disso, o central mantém uma ligação emocional forte ao clube andaluz, onde conheceu a companheira e onde viveu alguns dos momentos mais marcantes da carreira.

Já no Getafe, onde cumpre a quarta época, Domingos Duarte encontrou estabilidade e afirmação. Depois de um primeiro ano com muitos minutos, enfrentou uma fase mais irregular, marcada por expulsões e por uma lesão no ombro que acabaria por exigir cirurgia. A operação revelou-se decisiva para relançar a carreira: recuperou confiança, voltou ao melhor nível e tornou-se novamente uma peça importante no eixo defensivo da equipa.

O Getafe, conhecido por ser um adversário incómodo para qualquer equipa, assenta num modelo pragmático, compacto e solidário, algo que Domingos explica como parte do ADN do clube. Com poucos recursos financeiros, a equipa aposta na organização, na entreajuda e na capacidade de sofrer pouco, tirando o máximo partido das oportunidades. Um plano simples, mas eficaz, que tem permitido ao clube manter-se de forma consistente na primeira divisão espanhola.

Orientado por José Bordalás, Domingos destaca a importância da concentração e da redução do erro. Mais do que construir jogo de forma elaborada, o essencial passa por defender bem, bascular com critério e cumprir os princípios colectivos. Ainda assim, o central também se orgulha de contribuir ofensivamente, recordando um golo decisivo frente à Real Sociedad, que ajudou o Granada a manter-se nos lugares europeus.

Com contrato a terminar no final da temporada, o futuro permanece em aberto. Domingos garante estar focado apenas no presente, sem ansiedade quanto ao que virá depois. Está feliz no Getafe, disponível para renovar, mas consciente de que o futebol vive de ciclos. Entre as várias possibilidades, uma mantém-se no horizonte emocional: jogar pela equipa principal do Sporting. Um sonho que sabe não depender apenas de si, mas que continua vivo.

Não fecha portas a outros destinos, incluindo uma eventual aventura fora da Europa, nem esconde que jogar ao lado de Cristiano Ronaldo seria especial, até porque lhe falta a camisola do capitão português na coleção pessoal. Ao longo da carreira, cruzou-se com treinadores marcantes, destacando Luís Castro pelo impacto humano e profissional, bem como Diego Martínez e Bordalás pelo que lhe ensinaram em Espanha.

Invencibilidade à vista: FC Porto de Farioli pode fechar primeira volta sem derrotas e a história joga a favor

Experiente, ponderado e consciente das exigências do futebol moderno, Domingos Duarte olha para o futuro com serenidade. Seja em Espanha, em Portugal ou noutro destino, mantém intacta a vontade de competir ao mais alto nível. E, algures nesse caminho, o sonho de vestir de verde e branco continua à espera da oportunidade certa.