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Nacional
23/12/25 às 11:56

Martínez evoca legado de Diogo Jota e o impacto que ainda une a Seleção

O ano de 2025 ficará para sempre marcado na história recente da Seleção Nacional por uma dualidade difícil de separar: o sucesso desportivo e uma dor profunda que ultrapassou o futebol.

Pouco depois da conquista da Liga das Nações, a morte de Diogo Jota, em julho, num acidente de viação em Espanha, lançou um manto de luto sobre o grupo orientado por Roberto Martínez e sobre todo o futebol português.

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Em entrevista ao jornal Marca, o selecionador nacional falou de forma sentida sobre o impacto da perda do avançado no seio da Seleção, sublinhando que se tratou de uma tragédia que transcendeu largamente o contexto desportivo. «Foi uma tragédia a nível humano, de sociedade, que transcende o desporto», começou por afirmar, explicando que o grupo viveu o luto de forma natural, respeitando as diferentes formas de cada um lidar com a dor.

Segundo Roberto Martínez, o balneário respondeu com maturidade e sentido de responsabilidade a um momento devastador. «No nosso caso, o balneário geriu-o com um sentido de responsabilidade. O Diogo era uma fonte de positivismo. Era um jogador que não se pode substituir por ninguém», afirmou, deixando claro que a ausência de Jota não se mede apenas em golos ou rendimento dentro de campo.

A ligação emocional do grupo ao avançado ficou ainda mais evidente após a conquista da Liga das Nações, um título que todos sabiam ser especial para o jogador. «Ganhámos juntos a Liga das Nações e todos sabíamos que o sonho dele era ganhar o Mundial», recordou o selecionador. A ideia de retirar o dorsal usado por Diogo Jota chegou a ser equacionada, mas acabou por não avançar a pedido da família. «O Rúben Neves, o seu amigo mais próximo, ficou com ele. Levamos o Diogo como uma força extra», revelou.

Para além do impacto competitivo, Roberto Martínez destacou a dimensão humana de Diogo Jota, um traço que, segundo o técnico, explica o carinho transversal que existia no grupo. «Era muito próximo e preocupado em ligar-se à comunidade. Tinha a sua escola de futebol na sua terra natal», lembrou, sublinhando também o papel do avançado como um dos grandes embaixadores dos eSports ligados ao futebol.

Dentro do balneário, Jota era descrito como um elemento agregador. «Era muito humano, tinha contacto com todos. Adoravam-no. Sabia conquistar o carinho dos outros», explicou Martínez, antes de traçar um retrato simples e poderoso da mentalidade do jogador. Para Diogo Jota, o futebol não tinha mistérios: era preciso dar tudo, trabalhar e acreditar, mesmo quando o objectivo parecia inalcançável.

A carreira do avançado serve, para o selecionador, como o melhor exemplo dessa filosofia. «A sua carreira demonstra-o: o FC Porto, ir para o Atlético e não jogar, tornar-se uma lenda do Wolverhampton, ir para o Liverpool e ser, provavelmente, o único jogador que conseguia abrir um espaço entre Salah, Mané e Firmino», enumerou. Um percurso improvável, construído com resiliência e ambição, que culminou no mais alto nível do futebol europeu.

«Tinha essa capacidade de tornar possível o impossível», resumiu Roberto Martínez, numa frase que sintetiza o legado deixado por Diogo Jota. Um legado que não se apaga com a ausência física e que continua presente na Seleção, não apenas como memória, mas como inspiração permanente.

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Entre títulos conquistados e sonhos interrompidos, a Seleção Nacional segue em frente carregando consigo o espírito de um jogador que acreditava sempre mais um pouco — mesmo quando tudo parecia impossível.