O empresário ítalo-americano encontrava-se nos Estados Unidos da América, onde, nas últimas semanas, vinha a receber tratamento a uma doença grave, cujo diagnóstico nunca foi tornado público.
O futebol italiano acordou, este sábado, profundamente consternado com a morte de Rocco Commisso, presidente e proprietário da Fiorentina, falecido aos 76 anos de idade.
O empresário ítalo-americano encontrava-se nos Estados Unidos da América, onde, nas últimas semanas, vinha a receber tratamento a uma doença grave, cujo diagnóstico nunca foi tornado público.
A confirmação oficial do óbito surgiu durante a madrugada, às 03h15 (hora de Portugal Continental), através de um comunicado divulgado pelo próprio clube viola nas suas plataformas oficiais. A nota, assinada pela família, deixou clara a dimensão da perda, não apenas para a Fiorentina, mas para todos aqueles que com ele privaram ao longo dos últimos anos.
“Com grande mágoa e tristeza, a família Commisso, a sua mulher, Catherine, os seus filhos, Giuseppe e Marisa, e as suas irmãs, Italia e Raffaelina, anunciam a morte do presidente Rocco B. Commisso”, pode ler-se no início do comunicado. Seguem-se palavras de homenagem a um homem descrito como exemplo familiar, profissional e humano, sublinhando uma vida marcada pela dedicação, pela fé e por uma ética de trabalho inabalável.
O clube recorda que Rocco Commisso e Catherine celebraram recentemente 50 anos de casamento, destacando também a relação próxima e carinhosa com os filhos. “Para a sua família, era um guia, um homem leal e crente, um pai firme e presente”, refere a nota, num tom profundamente emotivo.
No plano desportivo, a Fiorentina sublinha a ligação quase visceral que Commisso desenvolveu com o clube desde que assumiu a sua liderança, em 2019. O futebol era uma paixão antiga, mas foi em Florença que encontrou, segundo o próprio clube, “o amor da sua vida desportiva”. O presidente era presença habitual no dia a dia da equipa, mantendo uma relação próxima não só com o plantel principal, mas também com os escalões de formação, onde era conhecido pela forma afável e pelo sorriso constante.
Um dos símbolos mais duradouros do seu legado será o centro de treinos do clube, que passará a chamar-se Rocco B. Commisso Viola Park. A infraestrutura, considerada uma das mais modernas de Itália, foi idealizada e financiada pelo próprio, com o objectivo de garantir um futuro sólido à Fiorentina, assente na formação e no crescimento sustentado. A decisão de atribuir o seu nome ao complexo é descrita como “uma marca indelével de afecto e compromisso com as próximas gerações”.
Rocco Commisso adquiriu a Fiorentina numa fase delicada da sua história recente, marcada por instabilidade financeira e incerteza institucional. Ao longo dos últimos anos, procurou devolver credibilidade ao clube, apostando numa gestão mais estruturada, no reforço das infraestruturas e numa presença mais próxima dos adeptos, que rapidamente passaram a identificá-lo como uma figura central do projecto viola.
Um legado que ultrapassa o futebol
Para lá dos relvados, Rocco Commisso construiu uma carreira de grande sucesso no mundo empresarial, em particular no sector dos media e do audiovisual. Em 1995, foi um dos fundadores da Mediacom, empresa que viria a tornar-se uma das maiores operadoras de televisão por cabo dos Estados Unidos da América, cargo que desempenhou como director executivo durante décadas, em paralelo com a presidência da Fiorentina.
O seu percurso profissional incluiu ainda ligações a grandes instituições financeiras e empresariais norte-americanas, como a Cablevision, o Royal Bank of Canada e o Chase Manhattan Bank. Apesar disso, nunca escondeu que o futebol ocupava um lugar especial na sua vida, tendo dado o primeiro grande passo nesse universo em 2017, com a aquisição do histórico New York Cosmos.
A morte de Rocco Commisso deixa um vazio evidente no futebol italiano e, em particular, na Fiorentina, clube que marcou profundamente nos últimos anos. Mais do que um presidente, era visto como um líder apaixonado, presente e genuinamente comprometido com o futuro do emblema de Florença. A cidade, os adeptos e o futebol despedem-se agora de uma figura que ficará para sempre ligada à história recente do clube viola.